O que muda na volta ao trabalho pós-isolamento?

Como será a volta ao trabalho pós-pandemia é a preocupação de muitos gestores. Isso tende a ficar mais evidente com a flexibilização da quarentena contra o novo coronavírus no Brasil.

Várias questões devem ser abordadas, a fim de se fazer um planejamento para a retomada das atividades. Entre elas, o distanciamento social na empresa, as questões de higienização e, até mesmo, como estará a saúde mental dos colaboradores.

Pensando nisso, preparamos este artigo com reflexões sobre o que muda na volta ao trabalho pós-isolamento social. Acompanhe!

Como será a volta ao trabalho

Uma resposta exata ainda não pode ser concedida, visto que o isolamento social decorrente da pandemia causada pelo novo coronavírus é algo inédito na nossa sociedade. Mas é certo que as rotinas não serão mais as mesmas — não só por conta dos hábitos de higiene, limpeza e distanciamento que deve prevalecer, mesmo após a flexibilização.

Questões como mais qualidade de vida no trabalho, bem-estar do empregado, flexibilização com trabalho remoto e uma série de outras estarão mais evidentes na volta ao trabalho.

Nesse cenário, a empresa deve estar preparada para atender às expectativas dos colaboradores. Afinal, eles desejam um ambiente mais humanizado, alinhado aos valores de valorização da saúde física e mental.

Entretanto, ainda é preciso pensar em questões práticas. Uma delas é garantir que as pessoas estejam em segurança no deslocamento para o trabalho e dentro da própria organização.

Para isso, é preciso pensar em estratégias que colaborem para o foco da operação. Elas devem assegurar a produtividade, ao mesmo tempo em que levam em conta as necessidades operacionais e o orçamento de cada corporação.

Boas práticas no retorno ao escritório

Nesse sentido, um RH humanizado se faz necessário, à medida que deve colaborar para as ações de bem-estar de toda a equipe. Acompanhe as dicas que separamos para você planejar a volta ao trabalho dos colaboradores no pós-isolamento.

Estabeleça normas de conduta

Para garantir um ambiente de trabalho saudável, visando à diminuição do risco de contágio na empresa, o setor de gestão de pessoas deve atuar com o estabelecimento de normas de conduta. Questões como uso de objetos compartilhados devem ser analisadas para que sejam criadas e divulgadas regras de uso.

O setor pode, inclusive, trabalhar em conjunto com a equipe de segurança do trabalho e saúde ocupacional. Assim, é possível mapear as áreas de risco e garantir que as informações cheguem a todos os colaboradores, de forma simples e direta.

Flexibilize o trabalho

Flexibilizar as rotinas com o home office, incentivar as reuniões virtuais e a implantação de diferentes turnos de trabalho são medidas que o setor de gestão de pessoas pode fomentar para mitigar os riscos de contágio.

Incentive o uso da tecnologia

Especialistas são categóricos em dizer que a pandemia acelerou o uso da tecnologia nas empresas. Em momentos de isolamento social, ela tem sido fundamental para conectar pessoas, diminuir distâncias e até mesmo otimizar recursos.

Todos esses benefícios configuram vantagens competitivas para as organizações. Por isso, devem receber a devida atenção da gestão da empresa, com a troca, por exemplo, de computadores desktops por notebook, incentivo à adesão de celulares corporativos, em vez de linhas fixas, investimentos em tecnologia da informação, suporte remoto, entre outros.

Considere o desafio do retorno para pais e mães

Um dos grandes desafios para quem tem filhos será encontrar alguém para deixar as crianças, já que as escolas ainda não têm previsão de retorno.

Diante dessa realidade, o setor de gestão de pessoas deve oferecer a oportunidade aos colaboradores com crianças em casa de manter, mesmo que temporariamente, o home office, até que o cenário volte ao normal.

Disponibilize acompanhamento psicológico

Não adianta pensar apenas em estrutura física e adequação dos processos, se a saúde mental dos colaboradores não estiver em dia. Isso porque a perda de parentes próximos é uma realidade vivida por diversos profissionais.

Logo, é preciso trabalhar para identificar quais colaboradores tiveram pessoas próximas afetadas pela doença durante o isolamento, colocando os serviços da empresa para oferecer apoio emocional antes da volta ao trabalho.

Além disso, mesmo aquelas pessoas que não perderam seus parentes, também podem ter sido acometidas por inseguranças e medos, principalmente, devido à falta de estabilidade no mercado de trabalho. Isso contribui para a elevação das taxas de ansiedade e, em níveis mais altos, até depressão entre os profissionais.

Adeque os espaços físicos

Algumas medidas para propiciar a mitigação da propagação do vírus são necessárias e merecerão atenção — e até mesmo investimentos — para garantir a saúde e a segurança dos colaboradores. Entre elas:

  • distanciamento entre as mesas de trabalho, de pelo menos dois metros;

  • limitação de pessoas em salas de espera;

  • adequação de objetos de uso compartilhado;

  • disponibilização de álcool em gel, entre outras.

Capacite a liderança

O líder ganha uma posição de destaque no que está sendo chamado de “novo normal”. Mais do que nunca, ele deve estar preparado para orientar a equipe em momentos de incerteza, direcionando as funções e dizendo exatamente a cada colaborador o que se espera dele.

Além disso, o gestor deve estar apto a se comunicar de forma clara e empática, já que os colaboradores podem ter perdido familiares por conta da doença. Nesse sentido, o líder deve ser um catalisador das demandas, intermediando as necessidades da empresa com as dos funcionários.

Vale lembrar que as relações interpessoais devem ser fortalecidas, a fim de facilitar os processos e potencializar a qualidade das entregas. Ao mesmo tempo, a experiência do empregado, ou employee experience, precisa ser otimizada, garantindo a satisfação dos colaboradores, fator fundamental para que eles realizem melhores entregas.

A importância da higienização

As superfícies podem ser facilmente contaminadas. Por isso, a higienização de todas as áreas da empresa deve ser reforçada com o objetivo de conter o contágio.

Maçanetas, mesas, torneiras, copiadoras, vasos sanitários, e outras superfícies devem ser higienizados com álcool 70% ou soluções sanitizantes de forma periódica. Nesse cenário, a equipe de limpeza deve ser treinada e protocolos precisam ser estabelecidos para oferecer higiene e segurança dos ambientes de trabalho.

Como vimos ao longo desta leitura, a volta ao trabalho pós-pandemia deve ser analisada e planejada para oferecer a sensação de bem-estar a todos os colaboradores.

Dicas para lidar com isolamento social prolongado

É inegável que a saúde mental é um dos trending topics de 2020. Antes do cenário de pandemia, já tínhamos o título de país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, só ficamos atrás do Japão quando o indicador é o estresse.

Infelizmente, as organizações ainda não respondem à saúde mental com a mesma paridade que o fazem em relação à saúde física, mesmo havendo evidências claras da eficácia e elevado retorno sobre o investimento. De qualquer forma, o regime de quarentena impôs a pauta em caráter de urgência, sendo amplamente discutida não só no meio corporativo, mas também na sociedade.

Tudo isso propiciou a desmistificação do assunto, associando tecnologia à psicologia. Soluções que contemplam streaming de vídeo e teleconsultas ampliaram o acesso de mais pessoas a profissionais da área. Mas, em caráter individual, como promover melhorias no próprio estado mental?

Conversamos com Iaci Rios, diretora da IMR&ERICKSON – empresa especializada em treinamento e orientação profissional, para conhecermos suas dicas para o enfrentamento do isolamento social prolongado e a manutenção de uma mente saudável.

Cuide de você – Não descuide das coisas essenciais para seu bem estar: uma boa alimentação, qualidade de sono, atividade física, boa convivência com familiares e contato virtual frequente com as pessoas de quem gosta.

Evite entrar nos imensos e inúmeros grupos de WhatsApp que, além de lotarem seu celular com mensagens nem sempre interessantes, ainda podem te deixar com um sentimento de culpa por não conseguir responder. É possível sair de alguns deles com delicadeza, sob a justificativa de não estar dando conta de acompanhar as conversas.

Outro ponto fundamental é reservar horários para o lazer, fazer as coisas que lhe dão prazer, como meditar, ler, assistir a um filme, conversar, pintar, etc.

Cuide do seu lar – Não descuide da limpeza, organização das tarefas e respeito pelos ambientes da sua casa. Se você convive com mais pessoas, vale a pena uma conversa para que cada um exponha suas necessidades de espaço e tempo para trabalho, estudo e lazer, buscando acordos amigáveis. O que é combinado não sai caro!

Cuide do seu trabalho – Se você está em regime de home office, mantenha seu espaço de trabalho organizado. Exatamente como costuma fazer em sua empresa. E estabeleça limites de horário. Se alguém da sua equipe ou seu líder estiver invadindo seus horários de refeição ou lazer, exponha isso de maneira sutil e proponha que encontrem juntos uma solução, pois isto vai minar muito sua capacidade de atravessar a quarentena.

Também é importante se manter informado com parcimônia; sem virar escravo dos noticiários. Escolha uma fonte confiável e cheque, no máximo, uma vez ao dia. E, acima de tudo, não tenha medo de acolher seus sentimentos! Todos estão passando pelas mesmas emoções: medo, insegurança, raiva, desconforto, tristeza. Mantenha-se aberto a essas emoções, não tenha receio de falar sobre isso com as pessoas íntimas.