O que de fato diversidade significa e qual sua real importância

Diversidade é um tema cada vez mais recorrente na atualidade, mas você sabe o que ela realmente significa? 

Essa é uma discussão essencial para os profissionais de Recursos Humanos, pois é uma temática de extrema relevância social, sendo o setor de RH um dos principais agentes responsáveis por ações que influenciam na promoção da diversidade no ambiente de trabalho.  

Neste artigo você vai aprender mais a fundo sobre: 

  • O que é diversidade;

  • O que são minorias;

  • Qual a importância da diversidade no ambiente de trabalho.

O que é diversidade? 

De acordo com o dicionário, o conceito de diversidade é definido como “um substantivo feminino que caracteriza tudo aquilo que é diverso, que tem multiplicidade”, ou seja, é tudo aquilo que apresenta pluralidade e que não é homogêneo. 

No contexto social, a diversidade é justamente isso: a convivência de indivíduos diferentes em relação à etnia, orientação sexual, cultura, gênero etc., em um mesmo espaço.

Porém, tornar um ambiente diverso é uma tarefa muito mais complicada quando aplicada no contexto social, pois existem estruturas sociais que impedem ou dificultam determinados indivíduos a terem acessos a certos espaços, seja pela história de opressão a um grupo, que foram marginalizados para determinados espaços físicos e simbólicos, ou  por preconceitos da sociedade. As razões são as mais diversas. 

É possível entender melhor essas relações ao se pensar em convenções sociais, que, resumidamente, são crenças e costumes que moldam os comportamentos das pessoas que fazem parte de uma comunidade. Essas normas são transmitidas de geração em geração e criam um senso de pertencimento àqueles que as seguem.

Além disso, essas normas, em muitos casos, vão para além da tentativa de moldar comportamentos e também ditam como deve ser a aparência, a orientação sexual, o gênero e várias outras características que fogem do controle do indivíduo, gerando uma sensação de inadequação aos que não se adaptam. 

Ou seja, aqueles que não condizem com os padrões vigentes sofrem uma pressão social para se encaixar e, caso não consigam, muitas vezes são levados direta ou indiretamente à marginalidade pelos que tentam manter o status quo. Esse grupo é conhecido como minoria. 

Vale ressaltar que minorias não são necessariamente grupos em menor quantidade numérica na sociedade, o termo diz respeito às relações de dominação de um grupo em relação ao outro. Nesse sentido, o grupo “maioritário” é respeitado e visto como aquele que deve ser imitado pelos outros, enquanto o grupo “minoritário” é o que pode ser alvo de comportamentos discriminatórios e preconceituosos justamente por não se adequar à norma. 

De modo geral, o conceito está atrelado a uma busca por integrar grupos diferentes em um mesmo ambiente, tendo em mente a pluralidade brasileira, por exemplo, que raramente é representada nos espaços. 

Mas se diversidade é tudo aquilo que é diferente, por que estamos falando de minorias?

O termo refere-se àquilo que é diverso, mas quando aplicado à sociedade, nem tudo é visto como diferente. Toda sociedade possui um conjunto de normas predeterminadas e isso é construído historicamente pelos grupos dominantes, sendo assim, é esperado que os indivíduos que façam parte de um determinado grupo tenham comportamentos compatíveis com o que é entendido como certo pela maioria. 

Essas regras que moldam a forma como os indivíduos devem se portar constroem comportamentos que são vistos como “normais”, ou seja, comportamentos que são tidos como o padrão daquele meio. Além disso, essas normas podem ir além do comportamento e atingir esferas que fogem do controle do indivíduo, como sua aparência e orientação sexual. 

Nesse sentido, existe uma norma, e tudo aquilo que está dentro dessa norma é considerado “normal” e o que foge é o “diferente”. Dessa maneira, há uma pressão para o que foge da norma adequar-se a ela. Logo, as minorias são os grupos que geralmente sofrem essas opressões contra suas diferenças, que não são socialmente aceitas e há uma tentativa de mudar esses sujeitos para se adequarem ou, caso não haja mudança, é possível que ocorra a segregação desse indivíduo daquele meio. E é aí que entra a importância de se discutir a diversidade, porque ela é uma forma de entender como as pessoas são tratadas de formas totalmente diferentes na sociedade.

Ao entender essas diferenças e as dificuldades que elas trazem para a vida daqueles que pertencem aos grupos que fogem da norma social, isto é, de grupos minoritários, é possível refletir sobre ações que ajudem a tornar a sociedade mais justa e igualitária.

Qual a importância da diversidade no ambiente de trabalho?

Atualmente, é fundamental para qualquer empresa pensar na diversidade e inclusão dentro das organizações, tanto por ser um tema importante e recorrente na sociedade quanto por trazer benefícios para a empresa. 

Contudo, não basta possuir um discurso pró-diversidade, esse ideal deve ser defendido e colocado em prática, caso contrário, a reputação da empresa pode ser altamente prejudicada. 

Existem diversos estudos comprovando que empresas que possuem maior diversidade não só apresentam retornos financeiros superiores, como também possuem um diferencial competitivo maior. Além de possuírem soluções mais criativas, por terem pessoas com diferentes pontos de vista para a resolução de problemas no dia a dia da organização.  

Além disso, um ambiente diverso melhora o employer branding da sua empresa e ajuda a atrair talentos de pessoas também diversas, que, como apresentado acima, possui inúmeros benefícios para melhorar o desempenho e crescimento do seu negócio. 

A promoção da diversidade no ambiente de trabalho também ajuda a aprimorar a cultura organizacional, pois um ambiente que promove a diversidade tem mais chances de construir uma cultura organizacional sólida e que acolhe e aceita as pessoas em suas diferenças. 

Nesse sentido, o papel do profissional de RH é de extrema importância, porque ele será o principal responsável por transformar essa reflexão em ações para promover a diversidade na organização.

Veja como a diversidade e inclusão podem acelerar a inovação nas empresas

O Brasil possui o ecossistema de inovação mais robusto da América Latina. É uma estrutura de startups, instituições de capacitação e fundos de investimento que não para de crescer, na qual até mesmo empresas com modelos de negócio mais tradicionais buscam se inserir  para identificar novas oportunidades. 

Contudo, é consenso entre profissionais, líderes, empresários e investidores: para que as empresas brasileiras cresçam, atraiam mais investimentos e sejam competitivas em mercados internacionais, é preciso mais inovação. Mas como? 

Neste artigo, apresentaremos como diversidade e inclusão estão diretamente conectadas ao potencial de inovação da empresa, além de mostrar como implementar esses dois conceitos em seu ambiente de trabalho.

Investimento na inovação

Segundo a pesquisa Getting to Equal 2019: Creating a Culture That Drives Innovation, realizada pela Accenture as  organizações precisam investir em diversidade e inclusão para se tornarem mais inovadoras.

Nela, é apontado que empresas que investem em diversidade e inclusão estabelecem uma cultura de inovação. 

Algumas descobertas desse estudo foram: 

  • A cultura de inovação é maior em empresas mais igualitárias; 

  • Colaboradores de empresas mais inclusivas não vêem barreiras para inovar;

  • Colaboradores de empresas mais igualitárias têm menos medo de errar;

  • Diversidade e inclusão são mais relevantes para gerar inovação do que aumentos de salário. 

Mas, antes de entender como isso acontece e entrar em mais detalhes sobre a pesquisa, precisamos compreender o que é a cultura de inovação. 

O que é cultura de inovação? 

Um dos grandes desafios ao se defender políticas de diversidade e inclusão nas empresas é medir o seu valor. Diversas iniciativas não têm continuidade por falta de fundamento e argumentação, e acabam não sendo priorizadas pelas diretorias.  

Neste sentido, o levantamento busca tangibilizar em números o valor da cultura de inovação, e apresentar como diversidade e inclusão ajudam a impulsioná-la. 

O critério de análise baseou-se em seis pilares que formam a cultura e  a mentalidade de uma organização inovadora: 

  • Propósito: colaboradores alinhados e engajados com o propósito da empresa;

  • Autonomia: confiança para tomar decisões; 

  • Inspiração: estímulo para buscar novas ideias para além do ambiente de trabalho;

  • Recurso: disposição de ferramentas necessárias, além de tempo e incentivos para inovar;

  • Experimentação: liberdade para testar novas ideias, sem medo de errar;

  • Colaboração: um ambiente que estimule a colaboração entre departamentos.

Cultura de inovação é, portanto, uma forma de mensurar a habilidade e a intenção individual de inovar. 

Quando a diversidade cresce, a inovação cresce junto

Para você compreender o impacto da diversidade e inclusão na cultura de inovação, a Accenture ouviu mais de 18 mil profissionais de 27 países, atuando em empresas de diversos tamanhos e segmentos, relacionando suas respostas ao grau de diversidade das organizações nas quais trabalham. 

Este indicador de diversidade é obtido a partir de uma avaliação de três aspectos principais: 

  • Engajamento da liderança (a diretoria está engajada e tem ações práticas para tornar a empresa diversificada, inclusiva e igualitária?); 

  • Ação clara (a empresa possui políticas de suporte a todos gêneros e é livre de vieses na atração e retenção de colaboradores?);

  • Ambiente empoderador (a empresa confia em seus colaboradores e proporciona um ambiente de trabalho flexível?). 

Com essas informações, os profissionais foram questionados a respeito dos seis pilares que constituem uma cultura de inovação. E os resultados deixam claro: o potencial de inovação de uma empresa está diretamente relacionado ao quão diversa e inclusiva é a organização. Veja alguns deles: 

A cultura de inovação é maior em empresas mais diversificadas

Em comparação a empresas com baixo grau de diversidade, as empresas mais diversificadas tem uma cultura de inovação 600% maior. 

E, mesmo se comparadas a empresas com grau médio de diversidade, a cultura de inovação é duas vezes maior nas companhias mais inclusivas. 

Colaboradores de empresas diversificadas não têm medo de errar

Não é segredo para ninguém que inovar implica em assumir riscos. 

Quando perguntados se têm medo de errar na busca por inovação, os colaboradores dão respostas bem diferentes de acordo com o grau de diversidade de suas organizações: 

  • Empresas altamente inclusivas: 85% não tem medo de errar;

  • Empresas de inclusão mediana: 56% não tem medo de errar;

  • Empresas pouco inclusivas: 36% não tem medo de errar.

Colaboradores de empresas diversificadas não vêem barreiras para inovação

Quando questionados a respeito das barreiras para inovação dentro de suas organizações, os resultados obtidos foram:

  • Empresas altamente inclusivas: 40% respondeu “nada me impede de inovar”;

  • Empresas de inclusão mediana: 21% respondeu “nada me impede de inovar”;

  • Empresas pouco inclusivas: 7%  respondeu “nada me impede de inovar”.

Diversidade e inclusão geram mais inovação que aumentos salariais

A pesquisa também identificou que a inovação é mais impactada por questões relacionadas à cultura, diversidade e inclusão do que por aumentos salariais. 

O impacto de fatores culturais foi estimado em 10,6%, enquanto a média salarial impactou em apenas 0,25%. 

Como construir uma cultura de inovação com diversidade e inclusão

Entendemos que diversidade e inclusão gera mais inovação nas empresas. No entanto, colocá-las em prática é um desafio na esmagadora maioria das organizações. 

Antes de entender como diversidade e inclusão podem ser implementadas nas organizações, veja o que cada conceito significa. 

O que é diversidade nas empresas? 

Ter uma empresa diversificada significa contar com uma força de trabalho multicultural. Ou seja, formar uma equipe com pluralidade em gênero, etnia, orientação sexual e crenças. 

A taxa de diversidade em uma empresa pode ser mensurada pela proporção de colaboradores em grupos minoritários ou em estado de exclusão no mercado de trabalho. 

O que é inclusão nas empresas? 

A diversidade, por si só, não garante a inclusão destes grupos nos ambientes de trabalho, e não os coloca em igualdade em relação aos grupos maioritários

Inclusão nas empresas significa criar políticas e processos que visem desenvolver as habilidades profissionais de todos e todas, igualmente, porém levando em conta a individualidade de cada pessoa e sua vivência. 

Quando não se investe em inclusão, a empresa pode ter uma força de trabalho plural. No entanto, seguirá reconhecendo e promovendo pessoas de grupos maioritários, o que significa a manutenção de uma hierarquia desigual e injusta. 

Como promover diversidade e inclusão? 

Embora não exista receita de bolo para transformar sua empresa em um ambiente diversificado e inclusivo, há algumas ações que são imprescindíveis para você ter sucesso nessa promoção. Confira a seguir algumas ações: 

Engaje a liderança

Qualquer projeto relacionado a diversidade e inclusão só pode ser bem-sucedido quando há o engajamento genuíno e consistente da liderança da empresa. Só assim será possível a adesão por todas as áreas da organização. 

Contrate, retenha  e desenvolva pessoas pertencentes a grupos minoritários

Diversidade e inclusão nas empresas começa pelo recrutamento e seleção. A partir do momento em que a empresa  forma times plurais, a transformação começa a acontecer. 

Planeje e estabeleça metas  para equiparação salarial e hierárquica

De nada adianta, no entanto, formar times plurais e manter uma estrutura desigual. É preciso estruturar um plano de metas e ações para desenvolver e promover pessoas de grupos minoritários. 

Forme um time de líderes diversificado

Ao desenvolver e promover estas pessoas, a empresa constrói um time de líderes plural, com diferentes ideias e perspectivas. Isso transmite segurança ao time, mostrando que não é necessário pertencer a um grupo maioritário para ganhar reconhecimento e prestígio. 

Mensure e compartilhe os resultados 

Para manter o engajamento de toda empresa, é preciso que haja transparência quanto aos resultados das ações. Manter uma comunicação aberta sobre diversidade e inclusão também é importante para relembrar seu propósito e objetivos. 

Conclusão

Como você viu, diversidade e inclusão são conceitos fundamentais para gerar inovação dentro das empresas, e seus benefícios podem ser mensurados e comprovados. 

Conseguiu identificar como diversidade e inclusão podem ajudar seu negócio? Compartilhe em suas redes sociais e ajude mais empresas a se transformarem! 

Inovação, diversidade e comportamento geracional

Vivemos em um mundo onde a concorrência está cada vez mais acirrada e nos deparamos com pessoas em busca do sucesso a qualquer custo. Andreas Auerbach nos conta alguns estudos que fez sobre comportamentos emergentes e como eles desafiam questões de consumo, atração de talentos e transformação cultural.

Andreas apresentou dois dados importantes durante o evento:

  • Em 10 anos 40% das empresas presentes hoje na lista da Fortune 500 não existirão mais, e 46% delas não existiam a 10 anos (World Economic – Fórum de 2016).
    45% da população mundial tem dificuldade para dormir. Outro indicador importante é que atualmente a depressão é a quarta causa global de incapacidade e deve se tornar a segunda até 2021 (OMS).

  • A evolução tecnológica e a cobrança para entregarmos mais em menos tempo nos puxam para conseguirmos sobreviver no mercado. Em troca disto, estamos sacrificando nosso lado humano, nosso tempo de dormir e de brincar com as crianças, evitando o contato presencial com as pessoas.

Em vez de considerar as gerações X, Y ou Z conforme verificamos com frequência em artigos de diversas bibliografias, para entendimento dos comportamentos dos seres humanos, Andreas demonstrou ao público o conceito de Zeitgeist, um termo alemão que tem como significado o espirito de uma época ou espirito do tempo. Esse é o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo em uma determinada época da trajetória do comportamento humano.

O conceito possui 6 níveis de complexidade:

  1. Instinto Tribos: Período em que os seres humanos começaram a construir pequenos grupos e rituais.

  2. Combativos: Período em que conseguíamos os propósitos a base da força, da luta e do combate para conquista de territórios. Andreas destacou que este nível ainda é muito presente nas empresas.

  3. Dogmáticos: Período em que introduzimos as leis, processos, disciplina e papéis sociais. Basicamente, no mundo atual são insígnias para os papéis sociais, como por exemplo: uniforme de uma empregada doméstica ou um terno de um executivo que diferenciamos certa classe social.

  4. Performance: Período em que iniciou as competições, busca por eficiência, foco e Inovação. Em busca de ser o mais eficiente possível, seja máquina, fornecedor ou pessoa.

  5. Relacional: Período em que começamos a buscar o proposito das coisas, dar resultado mas se importando com as pessoas, levando em consideração seus pensamentos e sentimentos.

  6. Tecnologias Exponenciais: Período do mundo atual, onde se busca sempre a quebra de paradigmas. Um exemplo disso é o uso de smartphones que está desmaterializando as coisas. A 20 anos atrás não imaginaríamos o que estamos vivendo hoje, como os serviços da Uber, que é totalmente contra o que nossos pais nos ensinavam sobre não pegar carona e aceitar comida de estranhos.

Essa mudança de comportamento entre gerações nos obriga a saber lidar com diversas situações e habilidades importantes para o profissional, independentemente do tempo. Os Millennials, por exemplo, possuem muita capacidade de questionamento, porém demonstram pouca energia e espírito de combatividade.

Diante deste cenário, Andreas deixou as seguintes dicas para os congressistas do CONARH 2019:

  • Perdemos muito tempo hoje em dia com coisas não essenciais. Precisamos saber priorizar o que é importante.

  • Cuidado com as generalizações, modas e fetiches. Precisamos saber dosar as expectativas conforme aumenta nossa maturidade, pois quanto maior expectativa, maior pode ser a desilusão.

  • Precisamos encontrar o equilíbrio entre os níveis de complexidade para conseguirmos não nos tornar obsoletos como empresa, profissional, educador e nem nos tornamos uma sociedade patológica.

  • You Either disrupt yourself or someone else will (Peter Diamandis).


Andreas Auerbach
Founder and IDM at NEXOHw
Business Partner at Box1824

A importância da diversidade no recrutamento e seleção

Quando você recruta pessoas que dividem as mesmas experiências, histórias, escolas e aparência, o potencial de crescimento da empresa acaba sendo limitado. Isso porque a probabilidade desses candidatos terem as mesmas ideias é maior do que se houvesse mais diversidade no recrutamento e seleção.

Essa diferença de perfis é necessária para a sobrevivência de qualquer negócio. Em um processo de expansão, no qual é preciso aumentar a área de atuação e permanecer relevante, a corporação se vê diante da necessidade de contratar pessoas que a ajudarão a crescer em novos mercados — cada um com suas características.

Portanto, continue com a leitura e entenda a importância da diversidade no recrutamento e seleção e aprenda como isso maximiza o potencial da sua empresa.

As dificuldades existentes no mercado de trabalho
Recrutar com diversidade é um processo difícil. Em muitas áreas, como a de tecnologia, por exemplo, o machismo ainda domina e impede que mulheres se destaquem no setor. Uma pesquisa da Unlocking the Power of Women For Innovation and Transformation, em parceria com a Catho, revelou que, nesse mercado, existem menos oportunidades para que as mulheres sejam promovidas. Mesmo em menor número nessa área, 51% das mulheres afirmam que já sofreram discriminação. Entre os homens, o índice é de 22%. Outros pontos impedem o crescimento delas na tecnologia, como é o caso das condições do local de trabalho, a falta de acesso a papéis criativos e a sensação de estagnação. Contudo, esse não é um problema restrito a essa área, pois outras passam por situações parecidas e, às vezes, piores.

Ainda que não haja responsabilidade direta, qualquer empresa pode (e deve!) se tornar agente na transformação por uma sociedade mais igualitária — na qual um homossexual não seja agredido devido a sua orientação sexual ou um negro não seja eliminado de um processo seletivo apenas por sua cor.

O desejo por diversidade no recrutamento e seleção das empresas não se limita a uma questão de justiça social, trata-se de algo maior e do interesse das corporações: o aumento de lucro e faturamento.

A importância da diversidade no recrutamento e seleção
Para entender a importância da diversidade no mundo corporativo, é necessário repensar sobre questões como o respeito e a valorização das diferenças. O fato de alguém ter uma experiência diferente da sua, por exemplo, precisa ser respeitado.

A aposta em diversidade promove o enriquecimento cultural de qualquer companhia, pois as diferenças de origem, crença, etnia, classe social etc. fazem com que cada indivíduo compartilhe ideias distintas — a partir de suas vivências. São essas as diferenças que permitem encontrar as melhores soluções. Basta imaginar um grupo de homens tentando encontrar o melhor formato para um absorvente íntimo feminino. Todos podem ser extremamente inteligentes, mas somente uma mulher é capaz de transmitir uma vivência real sobre o uso do produto.

Desse modo, a diversidade leva uma equipe a rever crenças e se abrir a novos aprendizados. É inconcebível que, em pleno século XXI, algumas pessoas ainda levem consigo e disseminem por aí preconceitos. Uma pessoa com deficiência física, por exemplo, pode ter certos limites, entretanto, ela não pode ser inferiorizada, pois tem outros potenciais.

Infelizmente, esse é um problema que ainda persiste. Antigamente, pessoas com deficiência física eram excluídas pela própria família, tanto do ensino com qualidade quanto do convívio social. Na atualidade, é possível encontrar, entre essa e outras minorias, mão de obra qualificada.

Os benefícios da inclusão da diversidade
É nesse ponto que a inclusão da diversidade nas empresas permite o desenvolvimento de características positivas para qualquer ser humano, como empatia e resiliência. Isso ajuda a melhorar os resultados da organização a partir de várias frentes, e uma delas — talvez a mais importante — é a construção de um clima organizacional inclusivo.

Nele, os profissionais tendem a se respeitar mais, e fora, o exemplo é levado para a vida, pois não faz sentido se comportar de maneiras diferentes por causa do ambiente. Essa é uma maneira de educar o profissional. O ambiente de trabalho que está aberto às diferenças é capaz de diminuir a quantidade de conflitos e, por meio disso, reduzir indicadores como absenteísmo e turnover, o que possibilita alcançar melhores resultados.

A empresa que aposta na diversidade entre os membros da sua equipe consegue ser mais criativa, afinal, cada um carrega as próprias vivências, podendo usá-las nas mais diferentes soluções. E como agente social, a organização consegue fazer com que seus colaboradores fiquem dispostos a transmitir com mais frequência as mensagens de respeito às diferenças — tanto em casa quanto nas redes sociais.

As tendências que promovem a diversidade no recrutamento e seleção

Uma das tendências adotadas pelas empresas europeias em processos de recrutamento e seleção é o blind recruitment, ou recrutamento às cegas. Na prática, ele remove informações como nome, idade, gênero, escolaridade, fotos e outros dados que podem ser usados contra a diversidade. E ainda não permite entrevista pessoal ou por vídeo com os candidatos.

O recrutamento às cegas é usado com o objetivo de superar o preconceito nos processos de pesquisa e seleção de candidatos — inconsciente ou não.

Estudos mostram que concorrentes que têm nomes característicos de determinadas regiões precisam mandar, em média, 50% currículos a mais do que outras pessoas. É o caso dos candidatos que têm nomes hispânicos e estão em busca de vagas de trabalho nos Estados Unidos, ou daqueles que são de origem árabe e tentam se inserir no mercado europeu.

Partindo do princípio de que todos somos iguais, é importante que as oportunidades no mercado de trabalho também sejam igualitárias — obviamente, algumas questões precisam ser respeitadas, como as competências necessárias para ocupar determinadas vagas.

O fato é que não há mais espaço para que a cultura da discriminação continue afastando as minorias do mercado de trabalho ou sujeitando-as a situações vexatórias — como a mulher ter que comprovar que não está grávida para ser contratada e, ainda assim, ganhar um salário menor que o homem na mesma posição.

A diversidade no recrutamento e seleção deve se tornar realidade para que tenhamos uma sociedade mais justa, que se respeita e vive em harmonia. E sua empresa pode assumir uma pequena parcela dessa responsabilidade como uma agente de mudança.