Recursos Humanos: 10 tendências da área para 2019

As tecnologias, mudanças da cultura organizacional, novos tipos de liderança… O que esperar para o setor de RH em 2019?

O profissional de Recursos Humanos passou por muita coisa em 2018, definitivamente um ano de aprendizagem.

Primeiro, foi necessário implantar e precisar aprender a lidar com a Reforma Trabalhista, que trouxe novas formas de contratação e mudança no dia a dia dos funcionários. Em seguida, veio a implantação do eSocial, que, no fundo, envolvia rotinas que o departamento já estava acostumado, mas com processos totalmente diferentes e envolvimento de outras áreas das empresas. Como se não bastasse, a rotina da folha de pagamento, de retenção de funcionários, de desenvolvimento de programas de benefícios e de diversidade continuaram à tona no RH. E já é hora de pensar em 2019.

Todos os anos, o HR Trend Institute, instituição com sede na Holanda, divulga uma relevante lista no apontando as próximas tendências para a área de Recursos Humanos.

As previsões para 2019, assinadas pelo diretor do instituto, Tom Haak, já saíram e, para você ficar de olho nas novidades, copilamos os principais pontos.

1. Personalização
Historicamente, o RH sempre se concentrou em práticas e processos padronizados. Mudar a abordagem voltada às necessidades, desejos e competências individuais dos funcionários parece ser um ponto de partida difícil, mas um caminho sem volta.

Um exemplo é o recrutamento: temos uma estrutura organizacional com uma hierarquia e cargos bem definidos.

Próxima etapa: como encontramos os candidatos que podem preencher as respectivas vagas?
Outro exemplo, a maioria dos processos de integração são projetados de cima para baixo: o que queremos que os novos funcionários saibam quando entram na organização? A pergunta inversa raramente é feita: o que podemos aprender com os novos funcionários que entram na organização. Ainda vemos muitos programas direcionados a grupos, semelhante a uma sala de aula. No entanto, a maioria dos novos projetos de escritório leva em conta as diferentes necessidades dos usuários, repensando os layouts dos escritórios. Se você trabalha melhor perto de outras pessoas e precisa regularmente de conselhos de colegas, pode trabalhar em espaços abertos. Quando você precisa se concentrar em um relatório complicado, você pode se sentar sozinho em uma sala silenciosa. Para uma chamada com um cliente, você pode encontrar uma das pequenas cabines telefônicas.

Em 2019, a personalização receberá muita atenção e os funcionários e organizações serão beneficiados.

2. A confiança na organização
As pessoas confiam nas organizações em que trabalham? Os funcionários confiam na tecnologia? As pessoas confiam que as organizações usarão a tecnologia para seu benefício? Recentes pesquisas apontam que não. A questão da confiança precisa estar na agenda do RH em 2019 porque muitas das iniciativas do setor são projetadas com a suposição de que os funcionários confiam na organização e na tecnologia. Infelizmente, o HR Trend Institute alerta que o nível de confiança parece ser menor do que se tem imaginado.

3. Desenvolvimento como serviço
O HR Trend Institute fez uma comparação interessante com o futebol.
No esporte, os melhores jogadores contratam empresas para auxiliá-los no seu crescimento e desenvolvimento profissional. Essas empresas analisam o desempenho do atleta, discutem juntos os resultados e apontam caminhos para o contratante, sem que os clubes se envolvam, afinal, os interesses são diferentes. Se por um lado, o clube quer se tornar campeão este ano, do outro o jogador quer se transformar em um dos atacantes mais valiosos do mundo. A empresa contratada está focada nos mesmos objetivos de quem o contratou, ou seja, funcionando como um coaching de carreira do jogador. No meio empresarial vimos pouco disso. O trabalho de desenvolvimento como serviço, principalmente baseado em dados, é uma grande perspectiva de futuro que parece estar surgindo aos poucos e deve se destacar no RH em 2019.

4. Mapa da jornada do empregado
Essa “jornada de experiência do empregado” dentro da empresa promovida pelo RH é exagerada, segundo o HR Trend Institute. Nela, os profissionais do setor buscam incorporar essa experiência dentro de seus projetos e intervenções. Porém, são experiências para agradar gestores, sem foco real no funcionário. Esse mapa pode parecer uma estrada de mão dupla, mas, na realidade, só existe um caminho e as empresas geralmente esperam que o funcionário nunca encontre a saída, baseada na linha era “Queremos atrair e reter nossos talentos”. O conceito de experiência do funcionário é muito bom: como podemos oferecer aos funcionários uma experiência que atenda às suas necessidades, expectativas e capacidades? A tendência para o RH em 2019 – talvez mais desejada do que observada pelo instituto – é de transformar esse conceito em prática, voltada honestamente para o benefício dos colaboradores.

5. Chega de paternalismo
Frequentemente o RH adota uma abordagem muito paternalista, cheia de normas e imposições. Algo que pode ser observado em projetos de coaching, no treinamento e desenvolvimento de gerentes. Mas sabemos que, na prática, muitos gerentes não conseguem ser bons treinadores.

O RH projeta processos obrigatórios, que forçam os gerentes a ter sessões de coaching com seus subordinados diretos pelo menos duas vezes por ano, com o mau uso de novas tecnologias de chatbot, por exemplo, orientando preenchimento de formulários e fornecendo outras instruções. Para o HR Trend Institute, essa abordagem não funciona, pois ninguém sai satisfeito com estes processos. Por que forçar as pessoas a fazer coisas de que não gostam e elas não são muito boas? O RH em 2019 deve considerar outras abordagens.

6. Análise de pessoas
Na análise de pessoas, o ponto de partida é geralmente as necessidades da organização:
Como podemos reduzir a rotatividade de pessoal? Os níveis mais altos de produtividade são possíveis? Podemos medir o nível de risco nas diferentes partes da organização?
Os benefícios para o funcionário, individualmente, sempre recebem menos atenção. E é preciso rever isso no RH em 2019.
A questão da propriedade de dados também precisa ser abordada. A maioria dos funcionários não trabalha em algum lugar por toda a vida. Eles seguem em frente. O que acontece com os dados coletados sobre o funcionário? Permanecerá com a organização ou o funcionário poderá levar seu arquivo de dados pessoais? A expetativa do HR Trend Institute é que os funcionários possam se beneficiar com esse monitoramento de dados.

7. Menos é Mais
A percepção de que a área de Recursos Humanos está fazendo muito e que a lista de iniciativas é muito longa está prejudicando as organizações. O HR Trend Institute lembra que os funcionários e a gerência sênior devem procurar mais impacto com menos esforço.

8. Os grandes estão melhores
Os grandes players em soluções de negócios de RH estão ficando ainda maiores.
No passado, alguns eram céticos sobre a capacidade dos grandes players incorporarem novas tecnologias e serem flexíveis o suficiente para atender às diferentes necessidades das organizações. Agora o ceticismo parece diminuir e a expectativa é de que, os grandes players, especialmente, serão capazes de ajudar o RH a fazer uma completa transformação digital.

9. Laboratórios de Inovação
Experimentar novas tecnologias e novas soluções inovadoras de Recursos Humanos pode ser aprimorada com a instalação de um “Laboratório de Inovação de RH”.
Grandes organizações inovadoras, como a Deutsche Telekom e o banco RABO, estão investindo em laboratórios com equipes que se concentram em inovações tecnológicas de RH. O HR Trend Institute considera isso um desenvolvimento positivo: é bom para as organizações, pois elas aumentam o ângulo da curva de aprendizado. Os provedores de tecnologia de Recursos Humanos também se beneficiam, pois podem trabalhar e aprender com clientes sofisticados. Isso ajuda a mudar a imagem do RH, de lento e tradicional para rápido e inovador.

10. RH em 2019 é sobre pessoas
As expectativas de análise e tecnologia da força de trabalho costumam ser muito altas, três elementos devem ser considerados:
Em primeiro lugar, o comportamento humano não é tão fácil de prever, mesmo se você tiver acesso a muitos dados de pessoas.
Em segundo, a questão é em que medida gerentes, funcionários e profissionais de RH se comportam de maneira racional? Todos os seres humanos são propensos a vieses cognitivos, que influenciam a maneira como eles interpretam os resultados dos projetos de análise da força de trabalho.
O terceiro elemento mostra que os desenvolvimentos da Inteligência Artificial estão indo rápido, mas há muitas tarefas em que a tecnologia tem grande dificuldade de se aproximar do desempenho dos seres humanos. O RH pode agregar muito valor porque é o departamento mais especializado em pessoas e como elas podem se beneficiar de todas essas transformações.

Gostou das tendências para o RH em 2019 apontadas pelo HR Trend Institute? Acha que esse é o caminho que o departamento deve seguir mesmo?